E como ele surge?
De vez em quando alguém me pergunta o que seria exatamente um "insight", já que esta é uma palavra bem utilizada por muitos quando estão falando sobre autoconhecimento. Por isso vou explicar em detalhes.
Ter um insight significar descobrir ou perceber algo que antes você não percebia, sobre si mesmo, ou sobre o funcionamento da vida, do mundo, do universo... Por exemplo: Em determinado momento você percebe que está se deixando manipular por alguém, e descobre que está permitindo que isso aconteça porque se sente culpado por algo que fez; sendo assim, está tentando compensar algo que antes nem se dava conta. Quando você percebe a situação, é como um despertar interior. Antes havia uma cegueira, e agora as coisas ficaram claras.
Enfim, são muitas as formas que os insights podem aparecer, nas mais diversas áreas da nossa vida. O que existe em comum em todos os insights, é que surge uma clareza maior do que antes. Às vezes ficamos até surpresos por não termos percebido algo tão óbvio.
Insights podem vir à tona a qualquer momento: durante ou após um momento de sofrimento intenso; numa caminhada; quando resolvemos relaxar; em uma conversa com alguém; num momento de reflexão; durante a leitura de um livro ou texto; num estado de quietude e silêncio...
Trabalhos terapêuticos costumam favorecer e acelerar o surgimento de insights.
As emoções negativas que guardamos, sejam elas conscientes ou inconscientes, provocam uma distorção na forma como vemos as coisas e interpretamos o mundo. É fácil constatar isso quando alguém, ao sentir uma raiva intensa, fala coisas que depois se arrepende de ter falado. É possível que, depois de mais calma, a pessoa perceba o quanto foi exagerada e injusta. Uma decepção ou sentimento de tristeza pode também trazer vários pensamentos negativos sobre a vida, que depois desaparecem quando a emoção é curada. Mas não são apenas as emoções intensas que provocam distorção na nossa percepção. Qualquer emoção negativa, mesmo as mais sutis, influenciam a nossa forma de interpretar o mundo. Funcionam como se fossem um filtro. Quando aplicamos trabalhos terapêuticos, dissolvemos as emoções negativas que estamos sentindo naquele momento. E quando isso ocorre, a emoção que filtrava a realidade deixa de existir. Nos deparamos com os fatos, com a realidade em si, sem a influência emocional. Nesse momento, enxergaremos coisas que antes eram impossíveis de se ver.
Essas percepções, ou insights, acontecem o tempo todo, de forma até corriqueira durante o trabalho com a tratamento terapêutico. As emoções negativas que estamos reprimindo ou escondendo por trás de outras mais superficiais vem à tona durante o processo e percebemos o que de fato estava nos incomodando. Por exemplo: ao aplicar regressão de vidas passadas para a raiva que se sente de alguém, pode vir à tona a verdadeira razão da raiva: medo de ser abandonado por essa pessoa. Antes, todo o medo ficava escondido por trás de uma máscara de raiva, que dá uma sensação de força e poder, quando, na verdade, escondia uma fragilidade e medo.
É comum também surgirem lembranças de fatos do passado que estavam aparentemente esquecidos, ou que a pessoa pensava já não ter mais qualquer sentimento guardado. De repente, percebemos que aquelas lembranças ainda trazem emoções que estão nos atrapalhando em determinada situação atual. Tudo isso faz parte do processo de ter insights.
O insight também pode se confundir com a intuição. Nos processos intuitivos, surge um saber interior sobre o que devemos fazer, mas não sabemos explicar exatamente o porquê. Fica difícil colocar em palavras e explicar racionalmente. Mas aquilo faz sentido pra nós. Existe uma lógica e uma explicação mais profunda, porém, às vezes não conseguimos deixar que venha à tona plenamente. Apenas sabemos que devemos fazer algo de determinada forma.
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