Na dança e na educação: o círculo ME FEZ CAIR A FICHA
HOJE FINALMENTE FUI NA UNIVERSIDADE ONDE CURSEI MINHA GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO COMO PEDAGOGA E PSICOPEDAGOGA CLÍNICA.
Sobre as danças circulares
HISTÓRICO.
As danças circulares sagradas trazem em suas raízes a tradição de diferentes povos. Relembram um tempo em que dançar era participação, encontro e reafirmação dos ciclos da vida. Na dança, a comunidade se reunia e celebrava todos os momentos importantes: do plantio à colheita, do nascimento aos funerais (Garaudy, 1980). Como um ritual, os homens dançavam e marcavam seu pertencimento ao grupo, vivendo e partilhando valores e crenças no encontro além da palavra. As danças circulares que hoje praticamos acolhem e honram diferentes povos e tradições. Na roda, compartilhando música, gestos e significados de culturas diversas, tal como no passado, vivificamos ritos e símbolos.
E como se dança? De mãos dadas, o grupo, voltado para um centro comum, descreve formas variadas no espaço. A principal e mais comum é a formação em círculo, que pode abrir-se ou fechar-se, desenhando linhas, espirais, meandros na sua movimentação. As danças de pares são também bastante comuns e lembram diretamente as tradicionais danças de roda festivas. O repertório, amplo e variado, inclui, por exemplo, danças da Grécia, Albânia, Romênia, Iugoslávia, Bulgária, Hungria, Macedônia, Israel, Escócia, Irlanda, Rússia, Índia, Brasil, Países Bálticos, Povos Celtas e da América do Sul (sobre o movimento das danças circulares, ver: Wosien, B., 2000; Wosien, M.-G., 2002; 2004; Ramos, 2002).
Para entrar na roda, não é necessário ter conhecimentos nem habilidades específicas sobre dança, basta o desejo. O grupo dança para si mesmo, todos entram na roda, pois a coreografia experimentada não tem o objetivo de ser apresentada para uma plateia, que é interna e a dança se revela a cada dançarino em particular.
No início do ano, quando comecei o trabalho com essa idéia, o primeiro desafio: a adaptação.
Trazer para o presente aquela experiência, nas palavras deste relatório, é tecer a memória de um símbolo ou de uma prática que tem se tornado central para mim. No entanto, é preciso dizer que em tempos idos eu não pensava em termos de simbologia, de imagem potencialmente marcada no pensamento e que, por isso mesmo, marcava singularmente o cotidiano educativo.
Mais tarde, trabalhando como psicopedagógica com crianças que têm dificuldades de aprendizagem e, depois ainda, como professora do curso de Pedagogia, no contato com inúmeras crianças e os pais das crianças me fez perceber que a hora da roda ganhava feições e dinâmicas diferenciadas em cada espaço educativo. De modo geral, é uma prática bem conhecida e utilizada na Educação Infantil, recebendo variadas denominações, tais como " rodinha da novidade" , " roda de conversa" ou simplesmente " rodinha" .
O QUE EU OBSERVEI EM SALA DE AULA TRADICIONAL:
Do que vi, o mais das vezes, não havia um ritual de acolhimento, de escuta. Qualificando as falas ou os gestos das crianças, a roda, desse modo, escorregava para um duro procedimento didático. Lembro da atitude de professores que, diante da voz pouco audível ou da palavra incompreensível de uma criança pequena, ainda estruturando o discurso oral, intercediam: " Ah! Que legal! Então tá bem. Agora o outro coleguinha vai falar..." . E outra criança falava. E a professora " É mesmo? Então tá legal. Agora o outro colega..." . Nesse exemplo, a conversa, como troca, transformava-se em simples formalidade, procedimento didático destituído de significado, uma vez que a intervenção da professora não ajudava a criança, não contribuía para a estruturação do seu discurso.
Do que vi, o mais das vezes, não havia um ritual de acolhimento, de escuta. Qualificando as falas ou os gestos das crianças, a roda, desse modo, escorregava para um duro procedimento didático. Lembro da atitude de professores que, diante da voz pouco audível ou da palavra incompreensível de uma criança pequena, ainda estruturando o discurso oral, intercediam: " Ah! Que legal! Então tá bem. Agora o outro coleguinha vai falar..." . E outra criança falava. E a professora " É mesmo? Então tá legal. Agora o outro colega..." . Nesse exemplo, a conversa, como troca, transformava-se em simples formalidade, procedimento didático destituído de significado, uma vez que a intervenção da professora não ajudava a criança, não contribuía para a estruturação do seu discurso.
Estava faltando mais seriedade daquele momento, foi então que comecei a pesquisar sobre as "Danças Circulares Sagradas".
Partindo desses antecedentes, as danças circulares sagradas me remeteram a pensar na importância do círculo tanto na educação como na vida diária de cada indivíduo. Fizeram-me ver o círculo na sua essencialidade, como símbolo prenhe de significados para uma prática integradora. Ou seja, mais do que fazer a roda e chamar para o encontro, por si só já uma ação carregada de simbolismo, entra em jogo o exercício de uma atitude e um pensamento circulares. Pensar circularmente significaria não pensar em linha reta, na afirmação da verdade, da única voz, do conhecimento absoluto. Significaria abrir-se ao diálogo, ao acolhimento da dúvida e da diversidade, à construção de múltiplos enredos afirmados no encontro das singularidades de crianças e adultos, de alunos e professores. Não uma técnica, procedimento metodológico, mas um modo de agir, de ser, de acolher. Ademais, como disse o poeta Manoel de Barros (1997), " a expressão reta não sonha" .
A roda, feito espiral em movimento circular ascendente, une todos, e o seu movimento a cada volta modifica o desenho do cotidiano, da prática pedagógica, integrando papéis e histórias, incorporando as diferenças. Do estranhamento às entranhas do desconhecido na roda do conhecimento, circulando por mundos reais e imaginários, com prazer, sabor e paixão de conhecer.
Vivenciar o círculo pela dança é uma experiência transformadora e extremamente linda, tanto quanto o dançarino se deixar envolver. No círculo da dança, não podemos ser apenas espectadores, ficar apenas olhando, de longe. Quem entra na roda é pra dançar! Sabendo ou não os passos, tendo ou não ritmo, com ou sem lateralidade apurada, é girando na roda que tudo pode acontecer, é no movimento que a transformação acontece.
Na roda, ficamos lado a lado, irmanados, ligados pelas mãos e, num crescendo, conforme a entrega de cada um e de todos, ligados pelo coração, o pulso e o impulso criador da unidade na diversidade. O foco está no centro da roda que, com o passar da dança, de várias danças, vai impelindo ao encontro com o centro de cada um — seu eixo, seu equilíbrio. Sou parte do todo, mas sou individualidade. Danço a dança coletiva, mas tenho o meu passo, marca do meu corpo, da minha história. Aprendo a entrar na roda sem perder minha singularidade e, mais que isso, reafirmo-a na medida em que percebo o outro. Pratico a alteridade na circularidade: vejo o outro e me vejo, dou espaço ao outro e ocupo meu espaço. Encontro o outro e caminhamos juntos, harmonizando a roda, dançando a vida.
O círculo. Não é uma bela imagem para a prática educativa? O círculo dançante. Não seria uma bela oportunidade para o aprendizado da circularidade?
Partindo desses antecedentes, as danças circulares sagradas me remeteram a pensar na importância do círculo tanto na educação como na vida diária de cada indivíduo. Fizeram-me ver o círculo na sua essencialidade, como símbolo prenhe de significados para uma prática integradora. Ou seja, mais do que fazer a roda e chamar para o encontro, por si só já uma ação carregada de simbolismo, entra em jogo o exercício de uma atitude e um pensamento circulares. Pensar circularmente significaria não pensar em linha reta, na afirmação da verdade, da única voz, do conhecimento absoluto. Significaria abrir-se ao diálogo, ao acolhimento da dúvida e da diversidade, à construção de múltiplos enredos afirmados no encontro das singularidades de crianças e adultos, de alunos e professores. Não uma técnica, procedimento metodológico, mas um modo de agir, de ser, de acolher. Ademais, como disse o poeta Manoel de Barros (1997), " a expressão reta não sonha" .
A roda, feito espiral em movimento circular ascendente, une todos, e o seu movimento a cada volta modifica o desenho do cotidiano, da prática pedagógica, integrando papéis e histórias, incorporando as diferenças. Do estranhamento às entranhas do desconhecido na roda do conhecimento, circulando por mundos reais e imaginários, com prazer, sabor e paixão de conhecer.
Vivenciar o círculo pela dança é uma experiência transformadora e extremamente linda, tanto quanto o dançarino se deixar envolver. No círculo da dança, não podemos ser apenas espectadores, ficar apenas olhando, de longe. Quem entra na roda é pra dançar! Sabendo ou não os passos, tendo ou não ritmo, com ou sem lateralidade apurada, é girando na roda que tudo pode acontecer, é no movimento que a transformação acontece.
Na roda, ficamos lado a lado, irmanados, ligados pelas mãos e, num crescendo, conforme a entrega de cada um e de todos, ligados pelo coração, o pulso e o impulso criador da unidade na diversidade. O foco está no centro da roda que, com o passar da dança, de várias danças, vai impelindo ao encontro com o centro de cada um — seu eixo, seu equilíbrio. Sou parte do todo, mas sou individualidade. Danço a dança coletiva, mas tenho o meu passo, marca do meu corpo, da minha história. Aprendo a entrar na roda sem perder minha singularidade e, mais que isso, reafirmo-a na medida em que percebo o outro. Pratico a alteridade na circularidade: vejo o outro e me vejo, dou espaço ao outro e ocupo meu espaço. Encontro o outro e caminhamos juntos, harmonizando a roda, dançando a vida.
O círculo. Não é uma bela imagem para a prática educativa? O círculo dançante. Não seria uma bela oportunidade para o aprendizado da circularidade?
Conheci as mandalas muito antes das danças circulares. Pintava-as como uma forma de recolhimento, pausa para deixar que emoções e pensamentos fluíssem através das cores. Era um retorno a um tempo em que eu, criança, me aquietava, e deixava que cores, formas, sons, cheiros, sentimentos, lembranças se aproximassem de mim. As danças circulares despertaram algo parecido e acrescentaram outras mãos, olhares, sorrisos, movimentos, e eu não tive dúvidas, faria meu registro através de mandalas ASTROLÓGICA INDIVIDUAL!
DEPOIMNETO
Uma aluna, já atuava como professora, chegou para me contar, no intervalo de um encontro, sobre suas aulas e suas crianças. Jamais esqueci a forma como ela me contou a experiência, o brilho no olhar, o prazer e a alegria de me passar seu testemunho. O que ela disse? Falou que, depois que começara a dançar ao redor de um centro, levou a ideia para suas aulas. Ela já fazia a roda para conversar ou ler histórias para as crianças, mas desde então, experimentou organizar também na sua sala um centro, tal qual fazíamos para dançar: levou panos coloridos, alguns objetos e arrumou bonito para as crianças. A reação das crianças não poderia ser melhor: gostaram da novidade e sentiram algo especial naquela arrumação. A professora contou que a participação na roda foi mais intensa, notou uma crescente aproximação física e demonstração de afetos entre as crianças. Lições do círculo!
MINHA CONCLUSÃO:
Como coordenadora da roda (dizemos focalizadora), dirijo-me para o círculo com um roteiro:
a dança,
seus passos,
sua música.
Convido todos para a viagem.
Todavia, tinha sempre presente: quem aceitaria o convite, como viajaria, até onde chegaria?
É o mesmo processo ensino-aprendizagem que identificamos no contexto educacional: o professor faz o convite, tem um roteiro, mas a viagem do conhecimento ganhará sabor e alcance distintos para cada viajante. Os processos são diferenciados, porque diferenciados são os indivíduos. Além do que pode haver resistência, recusa e outras dificuldades no percurso. O que fazer? Romper o círculo ou entregar-se ao aprendizado, na roda, com todos, lado a lado. Seja no papel de focalizadora na roda da dança, seja como professora na prática pedagógica institucional, creio que tanto mais estaremos abertos ao processo de aprendizagem quanto mais incorporarmos a dinâmica do círculo.
As pessoas que dançam vão percebendo, com o passar do tempo, as mudanças que ocorrem em si mesmas. Não é só o corpo físico que se torna mais leve, ágil, alegre, mas também a alma pois, assim como nos tornamos mais flexíveis em nossas articulações, também o fazemos em nossas reflexões. A forma retilínea de pensar vai se tornando mais " arredondada" , " espiralada" : o sentido de " um" e do " todo" está sempre presente. Ao dançar vamos deixando para trás julgamentos, críticas, ideias, preconceitos, ficamos mais harmonizados, identificados e de acordo com o compasso do coração, do Amor.
No círculo somos estimulados a participar de forma integral em uma ação que vem do coração; somos colocados em uma disposição especial que considera todos os presentes... e eu não senti este movimento acontecendo com todos na maioria dos encontros. [...] Encontros e desencontros, conforto e desconforto, solidariedade e indiferença, VAMOS dançando, aprendendo a ser tolerantes [...]. Mas nem tudo está perdido e sempre houve uma chance de a roda fluir: a segunda parte de aula, depois do intervalo, quando o grupo diminui. Aí acontece a integração, reconhecia-se a igualdade de todos e a presença única de cada dançarino, o corpo embalado pela música e o olhar brilhante.
Na experiência da pesquisa com as danças circulares, certamente como educadora fui tocada.
No círculo somos estimulados a participar de forma integral em uma ação que vem do coração; somos colocados em uma disposição especial que considera todos os presentes... e eu não senti este movimento acontecendo com todos na maioria dos encontros. [...] Encontros e desencontros, conforto e desconforto, solidariedade e indiferença, VAMOS dançando, aprendendo a ser tolerantes [...]. Mas nem tudo está perdido e sempre houve uma chance de a roda fluir: a segunda parte de aula, depois do intervalo, quando o grupo diminui. Aí acontece a integração, reconhecia-se a igualdade de todos e a presença única de cada dançarino, o corpo embalado pela música e o olhar brilhante.
Na experiência da pesquisa com as danças circulares, certamente como educadora fui tocada.
Sem começo nem fim, o círculo indica atividade, movimento cíclico e tem como característica a tendência à expansão, ao ilimitado. Por isso, é associado à mudança e às ideias de incorporar, dar e receber. É essa força que atualizamos e vivificamos nas danças circulares.
EU SOU ELCELY

Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE SEU COMENTÁRIO, VOU TE AGRADECER A PARTICIPAÇÃO