A dança é realmente uma das mais deliciosas formas de conscientização corporal, mas é preciso ser bem aplicada para que você realmente passe a ter conhecimento consciente de seu corpo. Enquanto dançamos, nós A dança é realmente uma das mais deliciosas formas de conscientização corporal, mas é preciso ser bem aplicada para que você realmente passe a ter conhecimento consciente de seu corpo.
Enquanto dançamos, nós automaticamente vamos nos apropriando do conhecimento inconsciente, a mecânica do movimento vai ficando guardada em nosso cérebro, ele responderá ao estímulo e o corpo saberá repeti-lo quando demos o comando correto, certo? O problema é quando nosso registro é de um movimento errado, que vai continuar sendo executado de forma incorreta, futuramente prejudicando nossa saúde e os demais movimentos.
Mas se você está em busca da dança com conhecimento consciente, de saber realmente como usar seu corpo da forma correta, de onde ele vem e para onde ele vai cada movimento, isso já é um ponto muito positivo, pois com absoluta certeza seu corpo vai agir e responder mais facilmente se for bem compreendido. E aos poucos, é possível se livrar de problemas como vícios posturais, inibição, medo, aquela velha e odiosa expressão: eu não consigo. Para isso, você pode conhecer o movimento na teoria (com o estudo da biomecânica), mas o imprescindível é que saiba como este se dá na prática.
Infelizmente, em toda área há profissionais despreparados (ou mesmo que não têm consciência do próprio corpo porque não foram preparados adequadamente por seus mestres). Não basta o professor gritar lá da frente: “fulano, encaixa o quadril!”, pois muitas vezes o aluno nem mesmo sabe realizar este movimento, e acaba projetando a pelve para frente, o tronco para trás, e a emenda fica pior que o soneto.
Eu sou a favor do toque como forma de orientação. O aluno se deixar tocar, deixar que seu professor direcione seu corpo para a postura correta, que auxilie com o toque na realização do "caminho" do movimento. E também gosto de poder tocar o corpo do professor para sentir como o movimento está sendo realizado, perceber a diferença entre o meu movimento e o dele. Isso não é muito comum, não é? Tem pessoas que se incomodam com o toque alheio, ou tem receio de tocar o corpo do outro. Mas eu acho que ajuda infinitamente no processo de entender o movimento e ajudar para que ele seja compreendido.
Outras formas prazerosas de tomar conhecimento do seu corpo são: aulas de relaxamento, alongamento, auto-massagem (a mais gostosa de todas, e além de ir descobrindo cada cantinho do seu corpo, percebe a grande diferença que faz um músculo alongado e um tensionado!) e a yoga.
O importante é, sempre, em todas as aulas de dança, ter máxima atenção aos sinais que seu corpo dá. O caminho da consciência corporal parte da observação de si mesmo, da observação de como seu corpo reage a cada movimento. Se há dor e onde essa dor está. Se os pés não estão bem posicionados, se há falta de equilíbrio, se os braços estão cansando com facilidade numa determinada postura, se, ao se olhar no espelho, o corpo está projetado para frente ou para trás, enquanto que o do seu professor está alinhado.
E cada sinal deve ser comunicado ao professor. Ele até pode ver quando seu movimento não está realizado ainda de forma limpa, ou quando sua postura está inadequada, mas ele nunca poderá sentir o que você está sentindo. Sabendo como seu corpo funciona naquele determinado momento, ele poderá consertar o pé que estava na posição inadequada, alinhar sua postura, explicar o que você está fazendo de errado que está causando aquela dor ou desconforto, ou qual musculaturas você deve utilizar para fazer determinados movimentos ou conseguir manter o equilíbrio etc .
A postura do bailarino advém desse auto-conhecimento. E todo o desenvolver da sua dança parte exatamente da maneira como seu corpo reage aos movimentos, à forma como sua postura se forma, para a dança, nessa sua auto-descoberta.
Publicado originalmente em http://beladanca.blogspot.com
Shaide Halim
EU SOU ELCELY
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